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23/06/2017

Resenha: Cada Homem é uma Raça

Título: Cada Homem é uma Raça
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535928525
Ano: 2017
Páginas: 200
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Sinopse:

Mia Couto é um escritor sobretudo generoso. Neste livro que reúne onze contos, publicado originalmente em 1990, ele prova isso mais uma vez. Os indivíduos são sempre objeto de fascínio e a descrição de suas vidas jamais traz qualquer julgamento. Com sua escrita poética inconfundível, que resulta num português com a melodia das línguas africanas, ele apresenta um rico universo de vivências de figuras moçambicanas. Se no conto “A Rosa Caramela” acompanhamos os dissabores de uma mulher corcunda que enlouqueceu depois de ter sido abandonada ao pé do altar, em “A princesa russa” a situação é de uma estrangeira que se vê num país desconhecido e com um marido hostil, e se alia a um de seus empregados nativos para sobreviver. “A lenda da noiva e do forasteiro” e “O embondeiro que sonhava pássaros” são exemplos dos contos mágicos e exuberantes de Mia, ao passo que “O apocalipse privado do tio Geguê” e “Os mastros de Paralém” têm um cunho político mais claro.

Resenha:

Mia Couto é um poeta da prosa, um poeta de causos, de lapsos, de mundos e raças; no plural, pois cada homem é um mundo e também uma raça. Cada homem é um emaranhado de sentimentos e desejos, de vontades ardentes e desilusões. Não importa em qual parte de Moçambique, cada homem e mulher se arrasta com o peso de um mundo de esperanças nas costas; às vezes, um mundo de sofrimento também.

29/05/2017

Resenha: Nós

Título: Nós
Autor: Evgueny Zamiatin
Editora: Editora Aleph
ISBN: 9788576573111
Ano: 2017
Páginas: 344
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Sinopse:

Nós é um romance distópico escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin. A história narra as impressões de um cientista sobre o mundo em que vive, uma sociedade aparentemente perfeita mas opressora, e seus conflitos ao perceber as imperfeições dele, ao travar contato com um grupo opositor que luta contra o "Benfeitor", regente supremo da nação. O livro só adentrou legalmente a pátria-mãe do autor em 1988, com as políticas de abertura do regime soviético, devido à censura imperante no país.

Resenha:

O mundo, depois de uma guerra de 200 anos, está na mais perfeita ordem. As pessoas são supostamente felizes, apesar de viverem em uma ditadura. O Benfeitor, ditador dessa sociedade, determina a hora de dormir, de comer, de trabalhar e até de fazer sexo. Tudo é previamente organizado. Você não precisa fazer nada, apenas viver e ser feliz.

10/05/2017

Resenha: Os meninos da Rua Paulo

Título: Os meninos da Rua Paulo
Autor: Ferenc Molnár
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8535928464
Ano: 2017
Páginas: 280
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Sinopse:

Publicada em 1907, a história dos meninos que travam batalhas pela posse do “grund” da rua Paulo, um pedaço de terra cercado onde se brinca à vontade, é conhecida por leitores de todo o mundo. A luta pelo “grund” vai além da vontade de comandar o local: ali, infância e fantasia prevalecem sobre as imposições do mundo adulto. O espírito de aventura, amizade e heroísmo presente nesta obra é capaz de transpor qualquer barreira de tempo, espaço ou idade. Esta nova edição conta com, além dos textos presentes na anterior, uma orelha assinada por Luiz Schwarcz, um posfácio de Michel Laub e um glossário.

Resenha:

Os Meninos da Rua Paulo, clássico da juventude para muitos, é uma obra envolvente, ágil e bela, que fala de valores que, muitas vezes, encontram-se esquecidos por nossas crianças e adolescentes. É uma aventura para os pequenos e saudosismo para os grandes. É um livro que você precisa conferir. Os motivos? Conto-lhe abaixo.

26/04/2017

Resenha: Orgulho e Preconceito

Título: Orgulho e Preconceito
Autora: Jane Austen
Editora: Giz Editorial
ISBN: 9788578553074
Ano: 2016
Páginas: 320
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Sinopse:

Segunda obra publicada de Jane Austen, Orgulho e Preconceito foi terminado em 1797, quando a escritora ainda não tinha completado 21 anos. Foi lançado em 1813, e seguiu o sucesso de seu primeiro livro, Razão e Sensibilidade.
Em Orgulho e Preconceito, Elizabeth Bennet, segunda de 5 filhas de um proprietário rural na cidade fictícia de Meryton, lida com os problemas relacionados à educação, cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática do início do século XIX, na Inglaterra. Como em toda a obra de Austen, o texto utiliza de uma fina ironia para retratar e criticar a hipocrisia moral da virada dos séculos XVIII e XIX.

Resenha:

Um romance puro e simples? De forma alguma. Romance com análise psicológica? Talvez... Jane Austen mostra em seu livro uma nova forma de abordar o amor, uma visão seca, porém com traços românticos; acima de tudo, uma visão mais realista. Poderíamos colocá-la ao lado de Machado de Assis e eles teriam muito a discutir sobre vícios e defeitos de seus personagens. Ou seriam os vícios padrões de nossa sociedade? A verdade nua e crua, isso é o que Jane preserva em livro.

23/04/2017

Resenha: Padre Sérgio

Título: Padre Sérgio
Autor: Liev Tolstói
ISBN: 978-85-405-0956-6
Editora: Cosac Naify
Ano: 2015
Páginas: 96

Sinopse:

Publicado em 1898, este volume está entre as obras-primas do grande escritor e pensador russo Liev Tolstói (1828-1910) e traz as marcas de suas preocupações morais e religiosas, que resultaram numa versão muito pessoal do cristianismo e lhe renderam a excomunhão da Igreja Ortodoxa em 1901. O protagonista do livro, um príncipe e militar admirado por seu sucesso e beleza física, rompe noivado e ingressa num monastério, tornando-se candidato a santo. Também na fé experimenta uma forte crise, reflexo dos acontecimentos na Europa em meados do século XIX. A edição inclui ilustrações do artista russo Kazimir Maliêvitch (1878-1935).

Resenha:

Em Padre Sérgio, acompanhamos a vida de Stiepán Kassátski, um jovem militar russo. Altamente ambicioso, ele sempre queria ser o melhor no que fazia, seja o que fosse. Por seu jeito, sempre galgou postos rapidamente e, muitas vezes, pouco imagináveis. Até que chega o momento que ele percebe que apenas ser militar não é o suficiente: ele deseja estar no meio dos altos círculos sociais da Rússia.

19/04/2017

Resenha: Venenos de Deus, Remédios do Diabo

Título: Venenos de Deus, Remédios do Diabo
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia Das Letras
ISBN: 9788535927320
Ano: 2016
Páginas: 190
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Sinopse:

Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português. A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor 'Sidonho', bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbas (neblinas) enganadoras. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade. Aparentemente, Sidónio veio de Lisboa para curar a vila de uma epidemia. Mas é o amor pela desaparecida Deolinda, por quem se apaixonara em Lisboa, que impulsiona seus passos mais íntimos. Quando Deolinda voltou para sua terra natal, Sidónio viu-se teleguiado pelo sonho de reencontrá-la. Mas Vila Cacimba não é o lugar do médico, nem poderá ser jamais. 'No fundo, o português não era uma pessoa. Ele era uma raça que caminhava, solitária, nos atalhos de uma vila africana', diz o engenhoso narrador deste belo romance.

Resenha:

Algumas vezes, os remédios vêm do Diabo e os venenos de Deus; algumas vezes, as mentiras são amorosas e vêm de quem menos se espera. E quem não mente? Nesta obra, Mia Couto mostra como as pessoas são um emaranhado de histórias, visões, tendências e mentiras. Neste enredo, tudo cheira a enganação, é repleto de segundas intenções. Todos são humanos e, por isso, potencialmente enganosos.

10/02/2017

Resenha: Sombras da Água

Título: Sombras da Água
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535928044
Ano: 2016
Páginas: 384
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Sinopse:

“Sombras da água” retoma a história de Mulheres de cinzas, romance histórico encenado à época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane, o último grande líder do Estado de Gaza, em fins do século XIX. Ferido, o sargento português Germano de Melo é levado ao único hospital de Gaza, sob os cuidados de Imani, sua amada e responsável pelo tiro que lhe esfacelou as mãos, do pai e do irmão da garota africana e de uma amiga italiana. Nesta jornada, eles encontrarão outros percalços e personagens memoráveis — característicos das obras de Mia Couto. Alternando as vozes de Imani e Germano, o escritor apresenta duas visões de mundo diferentes, porém inevitavelmente envolvidas nesta trama.

Resenha anterior:

Resenha:

Resenha sem spoiler do livro anterior.

“Tudo começa sempre com um adeus”, afirma Imani, na presente obra. É exatamente isso que encontramos em Sombras da Água: adeus atrás de adeus e recomeços. Imani e Germano, após os acontecimentos do livro anterior, tentam se reconectar, recomeçar, após um adeus à terra da protagonista. Porém, o caminho para esse contato mais profundo ainda é árduo.

04/02/2017

Resenha: Vidas Secas

Título Vidas Secas
Autor: Graciliano Ramos
Edição: 109
Editora: Record
ISBN: 9788501067340
Ano: 2009
Páginas: 176
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Sinopse:

O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro. Apesar desse sentimento de transbordante solidariedade e compaixão com que a narrativa acompanha a miúda saga do vaqueiro Fabiano e sua gente, o autor contou: "Procurei auscultar a alma do ser rude e quase primitivo que mora na zona mais recuada do sertão... os meus personagens são quase selvagens... pesquisa que os escritores regionalistas não fazem e nem mesmo podem fazer ...porque comumente não são familiares com o ambiente que descrevem...Fiz o livrinho sem paisagens, sem diálogos. E sem amor. A minha gente, quase muda, vive numa casa velha de fazenda. As pessoas adultas, preocupadas com o estômago, não tem tempo de abraçar-se. Até a cachorra [Baleia] é uma criatura decente, porque na vizinhança não existem galãs caninos". VIDAS SECAS é o livro em que Graciliano, visto como antipoético e anti-sonhador por excelência, consegue atingir, com o rigor do texto que tanto prezava, um estado maior de poesia.

Obra do autor anteriormente resenhada:

Resenha:

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”, afirmava Graciliano Ramos. Em Vidas Secas, encontramos essa premissa levada ao máximo, gerando uma obra enxuta, seca, como as vidas, como o Sertão. As palavras são feitas para dizer, assim como a vida é feita para viver. Porém, o que é viver? Há vida em meio à seca?

28/01/2017

Resenha: A Cidade Sitiada

Título: A Cidade Sitiada
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
ISBN: 8532508731
Ano: 1998
Páginas: 191
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Sinopse:

Lucrécia Neves vive num subúrbio em crescimento, São Geraldo, na década de 1920. O desejo de ser rica e de sair dos limites da cidade a fazem apostar no casamento com Mateus, que a leva para morar na cidade grande. No entanto, a nostalgia do subúrbio a invade de tal forma que ela retorna a São Geraldo, agora tão diferente daquela em que vivera. Viúva, ela se vê diante da possibilidade de iniciar uma relação amorosa mais verdadeira com o doutor Lucas, fato que não se concretiza. A carta da mãe chamando-a para mudar-se para a fazenda dá-lhe uma nova chance de jogar-se numa aventura amorosa e na busca de si mesma.

Resenha:

Lucrécia Neves é uma personagem complexa, dessas que a gente encontra principalmente na obra da Clarice Lispector. Uma quase alma gêmea de Macabéa, a protagonista tem um vínculo todo especial com o subúrbio de São Geraldo e é praticamente desprovida de pensamento próprio: ela é o que ela vê; ela é o seu subúrbio tão amado.

20/01/2017

Resenha: A Varanda do Frangipani

Título: A Varanda do Frangipani
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535927542
Ano: 2016
Páginas: 152
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Sinopse:

Depois da Independência de Portugal, em 1975, Moçambique enfrentou quase duas décadas de conflitos. O período foi marcado pela oposição entre os antigos guerrilheiros anticolonialistas da Frelimo (que tomaram o poder e tentaram implantar o socialismo no país) e o grupo de orientação conservadora Renamo (alinhado a Rodésia e África do Sul). A história de A varanda do frangipani se passa vinte anos após a Independência, depois dos acordos de paz de 1992. O romance é narrado pelo carpinteiro Ermelindo Mucanga, que morreu às vésperas da Independência, quando trabalhava nas obras de restauro da Fortaleza de S. Nicolau, onde funciona um asilo para velhos. Ele é um 'xipoco', um fantasma que vive numa cova sob a árvore de frangipani na varanda da fortaleza colonial. As autoridades do país querem transformar Mucanga em herói nacional, mas ele pretende, ao contrário, morrer definitivamente. Para tanto, precisa 'remorrer'. Então, seguindo conselho de seu pangolim (uma espécie de tamanduá africano), encarna no inspetor de polícia Izidine Naíta, que está a caminho da Fortaleza para investigar a morte do diretor. Mais de vinte anos depois da independência de Moçambique, quando a guerra civil já arrefeceu, a Fortaleza é um lugar em que convergem heranças, memórias e contradições de um país novo e ao mesmo tempo profundamente ligado às tradições e aos mitos ancestrais. Da sua varanda se pode enxergar o horizonte. O romance de Mia Couto esboça, assim, uma saída utópica para um país em reconstrução.

Resenha:

Quando ganhei A Varanda do Frangipani de presente da Susan, minha namorada, tive certeza que teria uma ótima experiência literária e comecei a lê-lo quase que imediatamente. O motivo é simples: Mia Couto é um autor que consegue tocar nos cantos mais profundos da alma humana. Ao terminar a leitura, tive novamente a certeza de que a obra era genial. O motivo? Conto-lhe abaixo.

16/09/2016

Resenha: Cobra Norato

Título: Cobra Norato
Autor: Raul Bopp
Editora: José Olympio
ISBN: 9788503005289
Ano: 2016
Páginas: 96
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Sinopse:

Cobra Norato, poema genial de Raul Bopp, situa o autor como um dos maiores escritores de nosso país e presença de grande importância no movimento modernista da década de 1920, que tanto influenciou (e influencia até hoje) os caminhos da cultura nacional.
Em "Cobra Norato" (1931) é detectado um retorno ao pré-tempo, ou seja, ao mito. O autor, após uma série de viagens pelo país, em que conhecera diversos costumes e tradições, traz a magia e o misticismo para a sua literatura, buscando encontrar o Brasil primitivo anterior à lógica e ao racionalismo científico.
Resultado de uma pesquisa iniciada para o doutorado em Línguas e Literaturas Ibéricas e Ibero-americanas da Universidade de Palermo, este livro mostra como os autores escolhidos propuseram um relacionamento crítico e consciente com o passado nacional, reivindicando uma literatura capaz de refletir as peculiaridades nacionais dentro de um âmbito artístico de qualidade universal.

Resenha:

Desde o seu lançamento, Cobra Norato é visto como um dos melhores poemas épicos da literatura brasileira. O motivo para tal é o bom trabalho com o verso, o tema intrínseco à nossa cultura e a qualidade das figuras de linguagem utilizadas. Esse conjunto gera mais do que uma boa poesia, mas um trabalho com a cara do brasileiro, algo que era um dos grandes ideais da Semana de Arte Moderna.

07/07/2016

Resenha: Destino: Poesia

Título: Destino: Poesia
Autores: Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto, Waly Salomão
Organizador: Italo Moriconi
Editora: José Olympio
ISBN: 9788503009836
Ano: 2016
Páginas: 160
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Sinopse:

Antologia que reúne os cinco maiores nomes da poesia marginal, escrita nos anos 1970, no Brasil. Italo Moriconi escolheu textos representativos da obra de cada um dos poetas para compor essa edição, dando a dimensão criativa e estética de uma época única e original em nossa literatura. Uma coletânea de poemas irreverentes, melódicos e contestadores, que já entraram para a história da poesia brasileira. Ana Cristina Cesar é autora homenageada da Flip este ano. Essa homenagem jogará os holofotes não apenas sobre a autora, mas sobre seus pares e sua geração literária. Edição revista, com capa nova e novo encarte de fotos e manuscritos.

Resenha:

Ser marginal, como muito bem definiu Leminski, “é quem escreve à margem, deixando branca a página para que a paisagem passe e deixe tudo claro à sua passagem” (p. 91). É exatamente essa poesia marginal que Destino: Poesia faz um retrato. Na obra, encontramos textos de cinco autores prestigiados do período: Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão. Essa multiplicidade dá uma ideia bem clara da perspectiva de poesia que eles defendiam e que tanto encantavam – e encantam – os seus leitores.

04/07/2016

Resenha: Cacau

Título: Cacau
Autor: Jorge Amado
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535917260
Ano: 2010
Páginas: 184
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Sinopse:

Segundo livro de Jorge Amado, Cacau é narrado em primeira pessoa por um lavrador, filho de industrial decaído, que trabalhara brevemente como operário fabril. O pequeno romance é a saga de uma tomada de consciência social e política. Atesta o clima de polarização ideológica da época em que foi escrito e o entusiasmo revolucionário de seu jovem autor.
Cacau inaugura também um dos veios mais ricos da literatura de Jorge Amado, o dos livros dedicados à rica e sangrenta história da região cacaueira da Bahia, imortalizada em obras como Terras do sem-fim; São Jorge dos Ilhéus; Gabriela, cravo e canela e Tocaia Grande.
Neste apaixonado livro de juventude, com um vigor e uma urgência que o tornam encantador, encontramos alguns dos méritos mais louvados do autor, como o apurado ouvido para a fala popular; o trânsito pelos vários registros do discurso, do mais formal ao mais coloquial; o caloroso afeto por suas criaturas.
Livro de denúncia e esperança, anuncia o grande romancista que conquistaria os leitores do Brasil e do mundo nas décadas seguintes.

Resenha:

Depois de ler A morte e a morte de Quincas BerroDágua, eu precisava desbravar mais obras do Jorge Amado. Sua forma de narrar, tão próxima a de um contador de histórias – algo raro em clássicos – chamou-me a atenção em demasia. Foi assim que mergulhei em Cacau, uma das primeiras obras do autor. Em parte, saí satisfeito com a leitura. Em parte, decepcionado. Se a história é rica e mantem o padrão de abordar os esquecidos, os estereótipos me incomodaram. Porém, no saldo final, a leitura foi positiva.

28/06/2016

Resenha: O Pêndulo de Foucault

Título: O Pêndulo de Foucault
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
ISBN: 9788501034663
Ano: 2016
Páginas: 672
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Sinopse:

Um dos romances mais famosos de Umberto Eco ganha reedição com novo projeto gráfico de capa e miolo.
Casaubon, Belbo e Diotallevi são redatores da editora Garamond, na Milão do início da década de 1980. Cansados da leitura e releitura de incontáveis manuscritos de ciências ocultas, eles acabam encontrando indícios de um complô que teria surgido em 1312 e atravessado, encoberto, toda a história do planeta até o fim do século XX. Os agentes e beneficiários dessa trama secreta seriam os templários e os rosa-cruzes, cujo objetivo maior era dominar o mundo. Em O pêndulo de Foucault, Umberto Eco aborda questões contemporâneas como a emergência do irracionalismo high-tech, as síndromes do final do milênio, o mundo dos signos e os segredos da História. Aliando a tudo isso muito suspense, ocultismo e crimes misteriosos, Eco é ao mesmo tempo erudito e bem-humorado.

Resenha:

O Pêndulo de Foucault é um livro “hardcore”. Há livros pesados, muito pesados e essa obra. Parece exagero, mas não é. Mesmo para leitores mais experientes, que leem textos acadêmicos mais elaborados, esse livro é puxado. Isso é um ponto negativo, logo de cara? Não, ao contrário. É o maior ponto positivo do livro, porém, é necessário que o leitor saiba, desde o princípio, que leitura está desbravando. Caso contrário, pode sair decepcionado.

22/06/2016

Resenha: São Bernardo

Título: São Bernardo
Autor: Graciliano Ramos
ISBN: 8501066656
Editora: 
Record
Ano: 
2003
Páginas: 
272
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Sinopse:

As memórias de Paulo Honório, o seco e ambicioso dono da fazenda São Bernardo, são contadas sem rodeios ou floreios neste clássico de Graciliano Ramos.


Resenha:

Há livros que você gosta e há outros que você levará para a vida toda. Para mim, São Bernardo está neste grupo. Minha primeira leitura da obra foi há alguns anos e, desde então, cada releitura torna o livro ainda mais magistral para mim. O motivo? Explicarei cada detalhe.

19/06/2016

Desbravando Nós: O ermo no olho que faz ver


Manoel tinha um enorme ermo bem dentro do olho. Por motivo de ermo não foi menino peralta. Fez, então, como escritor, o que não pôde na infância fazer: enxergou a vida por suas raízes crianceiras, numa visão comungante e oblíqua das coisas. Quem diz isso não sou eu, mas ele, em sua gramática expositiva do chão.

16/06/2016

Resenha: Fragmentos

Título: Fragmentos
Autor: Caio Fernando Abreu
Editora: L&PM
ISBN: 9788525410436
Ano: 2008
Páginas: 138
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Sinopse:

Nos contos de Caio Fernando Abreu, o leitor encontrará um retrato desesperado do Brasil contemporâneo, repleto de imagens sensoriais, descritas com uma linguagem lírica e poderosa. Neste livro são apresentadas oito histórias e um conto inédito.

Resenha:

Caio Fernando Abreu é um autor aclamado pela crítica e consagrado pelo Facebook. Digo consagrado por essa mídia digital por causa da quantidade de seus textos e fragmentos que circulam por ela, principalmente entre os apaixonados. Infelizmente, boa parte está com a autoria errada, mas ainda assim é um bom parâmetro para perceber a profunda aceitação que o autor ainda tem entre o público, mesmo após a sua morte.

12/05/2016

Resenha: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua

Título: A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua
Autor: Jorge Amado
ISBN: 9788535911831
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2008
Páginas: 118
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Sinopse:

O respeitável Joaquim Soares da Cunha, funcionário exemplar da Mesa de Rendas Estadual da Bahia, rompe com a família e as convenções sociais para viver aventuras no porto e na zona do meretrício de Salvador. Agora se chama Quincas Berro D'água.

Resenha:

Muitas vezes, a literatura nos reserva maravilhosas surpresas. Ao começar a ler A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua, esperava um ótimo livro, visto que Jorge Amado era genial, mas não uma obra tão envolvente, engraçada e também crítica. Menos ainda imaginava que a obra entraria para a minha lista de favoritas. Quer saber o porquê de tanta surpresa? Confira comigo.

04/05/2016

Resenha: O Papel de Parede Amarelo

Título: O Papel de Parede Amarelo
Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio
ISBN: 9788503012720
Ano: 
2016
Páginas: 
112
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Sinopse:

Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.

Resenha:

Quando peguei o diminuto livro O Papel de Parede Amarelo não imaginava uma leitura tão densa, profunda e perturbadora. Quem julga o livro pela capa e tamanho irá se enganar; a qualidade da obra é inversamente proporcional ao número de páginas. Com uma poesia e uma metáfora potente, Charlotte Perkins Gilman conquista e choca o leitor.
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